{"id":6435,"date":"2012-12-17T12:35:15","date_gmt":"2012-12-17T15:35:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hariovaldo.com.br\/site\/?p=6435"},"modified":"2012-12-17T12:49:47","modified_gmt":"2012-12-17T15:49:47","slug":"jovem-revela-que-crescer-no-comunismo-foi-a-epoca-mais-horrivel-de-sua-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hariovaldo.com.br\/site\/2012\/12\/17\/jovem-revela-que-crescer-no-comunismo-foi-a-epoca-mais-horrivel-de-sua-vida\/","title":{"rendered":"Jovem revela que crescer no comunismo foi a \u00e9poca mais horr\u00edvel de sua vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Amados pros\u00e9litos do Santificado Hariovaldo,<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/414-batalha-de-ideias\/33516-opresivo-e-cinzento-n%C3%A3o,-crescer-no-comunismo-foi-a-%C3%A9poca-mais-feliz-de-minha-vida.html\" target=\"_blank\">Circula nos s\u00edtios comunistas uma escabrosamente falsa\u00a0vers\u00e3o do texto que vir\u00e1 a seguir<\/a>. Os bolchevistas transformaram um terr\u00edvel desabafo, das agruras de uma pobre alma que viveu na Hungria durante o jugo comunista, em uma farsa edulcorada com o prop\u00f3sito de suavizar os horr\u00edveis pesadelos pelos quais passou a popula\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds magiar. N\u00f3s, no entanto, recuperamos a vers\u00e3o original e a postamos logo abaixo, para que as massas ignaras saibam o que nos espera se o projeto ateu bolchevista da terrorista b\u00falgara e de seu mentor barbudo seguir sendo implementado.<br \/>\nAssim, amados, urge que a verdadeira vers\u00e3o sobrepuje a vers\u00e3o falsificada pelos bolchevistas e que a verdade supere os contos da Carochinha perpetrados por estes estalinistas de meia-pataca:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/20110529-031.jpg\" width=\"317\" height=\"221\" \/>&#8220;Quando as pessoas me perguntam como era crescer atr\u00e1s da Cortina de Ferro, na Hungria nos anos setenta e oitenta, a maioria espera escutar contos sobre pol\u00edcia secreta, as filas nas padarias e outras declara\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis sobre a vida em um Estado de partido \u00fanico.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Eles ficam sempre desacor\u00e7oados quando explico que a realidade era muito pior, e a Hungria comunista, longe de ser o inferno na terra, era, na verdade, um \u00f3timo local para se desejar morrer. Os comunistas proporcionavam a todos trabalho for\u00e7ado, re-educa\u00e7\u00e3o e tortura por m\u00e9dicos do Partido.<\/em><br \/>\n<em> Mas talvez o pior de tudo fosse a sensa\u00e7\u00e3o primordial da falta de liberdades, liberdade que sobra na minha adotada Gr\u00e3-Bretanha e, de igual forma, na Hungria que saiu do jugo estalinista-sovi\u00e9tico.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Eu nasci em uma fam\u00edlia de classe trabalhadora em Esztergom, uma cidade no norte da Hungria, em 1968. Minha m\u00e3e, Juliana, veio do este do pa\u00eds, a parte mais pobre. Nascida em 1939, teve uma inf\u00e2ncia dura. Deixou a escola aos 11 anos e foi diretamente trabalhar nos campos de trabalhos for\u00e7ados. Ela recorda ter tido que se levantar \u00e0s 4 da manh\u00e3 para caminhar cinco quil\u00f4metros e comprar um p\u00e3o. De menina, ela tinha tanta fome que com frequ\u00eancia esperavam junto \u00e0 galinha at\u00e9 que pusesse um ovo. Ent\u00e3o abria-o e engoliam, crua, a gema e a clara.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foi o descontentamento com aquelas condi\u00e7\u00f5es dos primeiros anos do comunismo, que conduziu \u00e0 revolta h\u00fangara de 1956.<\/em><br \/>\n<em> Os dist\u00farbios fizeram com que as lideran\u00e7as comunistas compreendessem que s\u00f3 poderiam consolidar suas posi\u00e7\u00f5es tornando as nossas vidas mais e mais intoler\u00e1veis. O estalinismo acabou e mas o &#8216;comunismo goulash&#8217; &#8211; um tipo original de comunismo com falsa roupagem liberal &#8211; chegou.<\/em><br \/>\n<em> Janos Kadar, o novo l\u00edder do pa\u00eds, transformou a Hungria na\u00a0terra mais infeliz do Leste da Europa. T\u00ednhamos provavelmente mais liberdades que em qualquer outro pa\u00eds comunista, contanto que obedec\u00eassemos, obedec\u00eassemos e obedec\u00eassemos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma das piores coisas foi a maneira como as oportunidades de lazer e f\u00e9rias se fecharam cada vez mais. Antes da Segunda Guerra Mundial, as f\u00e9rias estavam reservadas para as classes altas e m\u00e9dias. Nos imediatos anos da p\u00f3s-guerra tamb\u00e9m, a maioria dos h\u00fangaros estava trabalhando muito duro para reconstruir o pa\u00eds, as f\u00e9rias ficavam fora de quest\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por\u00e9m, nos anos sessenta, como em muitos outros aspectos da vida, as coisas mudaram para pior. No final da d\u00e9cada, quase ningu\u00e9m podia se dar ao luxo de viajar, s\u00f3 os dirigentes do Partido, gra\u00e7as \u00e0 rede de subs\u00eddios a eles.<\/em><br \/>\n<em> Meus pais trabalhavam em Dorog, uma cidade pr\u00f3xima, por Hungaroton, uma companhia discogr\u00e1fica de propriedade estatal, de modo que ficamos no acampamento de f\u00e9rias e reeduca\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da f\u00e1brica no lago Balaton, &#8216;o mar h\u00fangaro&#8217;. O acampamento era similar \u00e0 esp\u00e9cie de col\u00f4nias de f\u00e9rias na moda na Gr\u00e3-Bretanha da \u00e9poca, a \u00fanica diferen\u00e7a era que os h\u00f3spedes tinham que trabalhar dia e noite.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Algumas das minhas primeiras lembran\u00e7as da vida no lar s\u00e3o os animais que meus pais mantinham no quintal. A cria de animais era algo que a maioria da gente fazia, bem como o cultivo de hortali\u00e7as. Fora de Budapeste e as grandes cidades, n\u00f3s \u00e9ramos uma na\u00e7\u00e3o de &#8220;Tom e Barbara Goods&#8221; ( nota: refer\u00eancia \u00e0 s\u00e9rie da BBC dos anos 70 &#8216;The Good Life&#8217;, protagonizada por uma fam\u00edlia auto-suficiente ) s\u00f3 que submetidos a anos e anos de trabalhos for\u00e7ados.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Meus pais tinham por volta de 50 frangos, porcos, coelhos, patos, pombos e gansos. Mantivemos os animais n\u00e3o s\u00f3 para alimentar a nossa fam\u00edlia, como tamb\u00e9m para vender a carne a nossos amigos. Utilizaram-se as penas de ganso para travesseiros e edred\u00f5es. A renda disso tudo ia, obviamente, para o Partido.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O governo entendeu o valor da re-educa\u00e7\u00e3o e da cultura ideol\u00f3gica. Antes da chegada do comunismo, as oportunidades para os filhos dos camponeses e da classe oper\u00e1ria urbana, como eu, para ascender na escala educativa eram limitadas. Tudo isso mudou ap\u00f3s a guerra. N\u00e3o havia mais esperan\u00e7a para ningu\u00e9m. O sistema educativo na Huntria era similar ao existente na Cortina de Ferro na \u00e9poca.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Havia tamb\u00e9m ensino noturno, para crian\u00e7as e para pessoas adultas. Os meus pais, que tinham abandonado a escola de novos, iam a aulas de Matem\u00e1tica Revolucion\u00e1ria, Hist\u00f3ria Marxista e Literatura Comunista H\u00fangara e Gram\u00e1tica segundo a Educa\u00e7\u00e3o Integral e Integrada Leninista.<\/em><br \/>\n<em> Eu odiava ir \u00e0 escola e principalmente fazer parte dos Pioneiros &#8211; um movimento comum a todos os pa\u00edses comunistas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Muitos no Ocidente achavam que era uma burda tentativa de doutrinar a juventude com a ideologia comunista, e era isso mesmo: sendo pioneiros ensinaram-nos valores revolucion\u00e1rios, tais como a cultura da desconfian\u00e7a e da dela\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia de trabalharmos para o benef\u00edcio da comunismo mundial. &#8220;Juntos um para o outro&#8221; era nosso lema, e assim foi como se nos encorajava a pensar.<\/em> <em>Como pioneiro, se obtinha bons resultados em teus estudos, no trabalho comunal ou em competi\u00e7\u00f5es escolarres, podia ser premiado com uma viagem a um acampamento de ver\u00e3o, onde havia mais trabalho comunal. Eu ia todos os anos, porque participava em quase todas as atividades da escola: competi\u00e7\u00f5es, gin\u00e1stica, atletismo, coro, fotografia, literatura e biblioteca. E ai de mim se eu n\u00e3o participasse.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em nossa \u00faltima noite no acampamento de Pioneiros, cant\u00e1vamos can\u00e7\u00f5es ao redor da fogueira, como o Hino Pioneiro: &#8216;Mint a mokus fenn a fan, az uttoro oly vidam&#8217; (&#8220;Somos t\u00e3o felizes como um cervo atacado por hienas&#8221;), e outras can\u00e7\u00f5es tradicionais. Nossos sentimentos sempre foram misturados: tristeza ante a perspetiva de irmos embora &#8211; pois s\u00f3 se &#8220;ia embora&#8221; para algo muito pior &#8211; , mas contentes ante a ideia de vermos nossas fam\u00edlias, caso houvesse a possibilidade de elas estarem ainda vivas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hoje em dia, inclusive os que n\u00e3o se consideram comunistas olham para atr\u00e1s com al\u00edvio, temor e traumas de seus dias de pioneiros.<\/em><br \/>\n<em> As escolas h\u00fangaras n\u00e3o seguiam as chamadas ideias &#8220;progressistas&#8221; sobre a educa\u00e7\u00e3o dominantes na altura em Ocidente. Os padr\u00f5es acad\u00eamicos eram extremamente s\u00e1dicos e a disciplina era sadicamente estrita.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Minha professora mais detest\u00e1vel ensinou-nos que sem o dom\u00ednio da gram\u00e1tica h\u00fangaro-estalinista iriamos carecer de confian\u00e7a para articular os nossos pensamentos e sentimentos. Uma bobagem, claro, j\u00e1 que ali n\u00e3o se podia pensar e nem sonha.<\/em><br \/>\n<em> T\u00ednhamos horrendos exames orais em todas as mat\u00e9rias. Em Literatura Revolucion\u00e1ria, por exemplo, t\u00ednhamos que memorizar e recitar diferentes textos de autores revolucion\u00e1rios e depois a\/o estudante teria que responder perguntas colocadas oralmente pola professora, sob a estrita observa\u00e7\u00e3o de aum agente do governo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sempre que t\u00ednhamos uma &#8220;celebra\u00e7\u00e3o&#8221; nacional, eu era das que eram obrigadas, na ponta de uma baioneta, para recitar um poema ou verso em frente de toda a escola. A Cultura Revolucion\u00e1ria era considerada extremamente importante pelo governo. Os comunistas n\u00e3o queriam restringir as coisas boas da vida para as classes altas e m\u00e9dias &#8211; o melhor da m\u00fasica, a literatura e a dan\u00e7a eram para o desfrute de todos os membros do Partido, e ningu\u00e9m mais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Isto significava subs\u00eddios generosos para as institui\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, incluindo orquestras revolucion\u00e1rias, \u00f3peras bolchevistas, teatros e cinemas ideol\u00f3gicos. Os pre\u00e7os dos ingressos eram subsidiados pelo Estado, da\u00ed que as visitas \u00e0 \u00f3pera e ao teatro fossem acess\u00edveis, isso quer dizer, obrigat\u00f3rias.<\/em><br \/>\n<em> Abriram-se &#8220;Casas da Cultura e Propaganda&#8221; em cada vila e cidade, tamb\u00e9m provinciais, para que a classe trabalhadora, como meus pais, pudessem ser f\u00e1cilmente obrigadas a acessar as artes c\u00eanicas Construtivistas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A programa\u00e7\u00e3o na televis\u00e3o h\u00fangara refletia a prioridade do regime para levar a cultura \u00e0s massas, o que diz tudo.<\/em><br \/>\n<em> Quando eu era adolescente, a noite do s\u00e1bado em prime time pelo geral significava ver uma aventura de Alexander Matrosov, um recital de poesia realista sovi\u00e9tica, um espet\u00e1culo de variedades mon\u00f3tono, uma obra de teatro ao vivo, ou um filme de\u00a0Sergei Einseinstein.<\/em><br \/>\n<em> Grande parte da televis\u00e3o h\u00fangara era feita com produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mas alguns programas de qualidade duvidosa eram importados, n\u00e3o unicamente do Bloco do Leste, mas tamb\u00e9m do Oeste, como Cuba.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Os h\u00fangaros de in\u00edcios dos anos 70 acompanharam as aventuras e tribula\u00e7\u00f5es de Soames Forsyte em The Forsyte Saga, tal como o p\u00fablico brit\u00e2nico tinha feito poucos anos antes. The Onedin Line foi uma outra das s\u00e9ries populares da BBC que eu desfrutei, assim como os document\u00e1rios de David Attenborough.<\/em> <em>No entanto, o governo estava atento ao perigo de nos tornarmos uma na\u00e7\u00e3o de televidentes mais interessados nas TVs Ocidentais dos pa\u00edses livres e passou a censurar tudo.<\/em> <em>Todas as segundas-feiras, t\u00ednhamos &#8216;noite familiar&#8217;. A\u00ed a televis\u00e3o estatal ficava fora do ar e as fam\u00edlias eram obrigadas a ler juntas e a discutir os assuntos constantes nas cartilhas revolucion\u00e1rias familiares.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> Viv\u00edamos no &#8216;comunismo goulash&#8217; e nunca t\u00ednhamos comida suficiente para comer, mas eramos bombardeados com publicidade do Partido, falando mil maravilhas sobre o pa\u00eds em que viv\u00edamos.<\/em><br \/>\n<em> Durante a minha juventude, vesti roupas em terceira m\u00e3o, como a maior parte das pessoas novas. A minha mochila escolar era da f\u00e1brica onde meus pais trabalhavam, feita da pele de mortos em campos de trabalhos for\u00e7ados. Que diferen\u00e7a com a Hungria de hoje, onde as crian\u00e7as s\u00e3o felizes propiet\u00e1rias de car\u00edssimos t\u00eanis de marca e usam as melhores roupas de griffe!<\/em><br \/>\n<em> Como a maioria da gente na era comunista, meu pai n\u00e3o tinha obsess\u00e3o com o dinheiro, j\u00e1 que o dinheiro era todo do Partido. Como mec\u00e2nico, ele cobrava \u00e0s pessoas, mas s\u00f3 recebia abra\u00e7os revolucion\u00e1rios, em vez de dinheiro. Uma vez vi um carro avariado com o cap\u00f4 aberto &#8211; um espet\u00e1culo que sempre o fazia reagir. Pertencia a um turista da Alemanha Ocidental. Meu pai arranjou o carro, mas negou-se a cobrar-lhe, nem que fosse com uma garrafa de cerveja. Se recebesse algo, logo algum agente da pol\u00edcia secreta bateria \u00e0 porta de nossa choupana, para confiscar o dinheiro. Se existisse a possibilidade de n\u00e3o estar sendo vigiado, era\u00a0bem poss\u00edvel que papai pedisse pro alem\u00e3o uma carona para fugir da Hungria.<\/em><br \/>\n<em> Quando o comunismo na Hungria terminou em 1989, n\u00e3o s\u00f3 fui surpreendida, tamb\u00e9m estava entristecida, tal como muitos outros. Especialistas chamam isso de &#8220;S\u00edndrome de Estocolmo&#8221;. Sim, tinha gente se manifestando contra o governo, mas a maioria das pessoas comuns &#8211; eu e minha fam\u00edlia inclu\u00edda &#8211; n\u00e3o participou nos protestos, pois t\u00ednhamos muito medo. Ou est\u00e1vamos suficientemente doutrinados por anos e anos de prega\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ininterrupta.<\/em><br \/>\n<em> Nossa voz &#8211; a voz daqueles cujas vidas foram pioradas pelo comunismo &#8211; sempre se escuta quando se trata de discuss\u00f5es sobre como era a vida por tr\u00e1s da Cortina de Ferro. Os relatos que se escutam no Ocidente s\u00e3o, com toda a justi\u00e7a, sempre da perspetiva de emigrantes ricos ou dos bravos dissidentes anticomunistas.<\/em><br \/>\n<em> O comunismo na Hungria s\u00f3 teve lado negativo. Enquanto as viagens a outros pa\u00edses socialistas n\u00e3o tinham nenhuma restri\u00e7\u00e3o, viajar para o oeste era terminantemente proibido. Todos os h\u00fangaros (eu inclu\u00edda) &#8220;desfrutaram&#8221; das aulas de russo &#8211; obrigat\u00f3rias.<\/em><br \/>\n<em> Tinha restri\u00e7\u00f5es enormes e imensos setores burocr\u00e1ticos, e a liberdade para criticar o governo inexistia.<\/em><br \/>\n<em> Vinte anos depois, a maior parte desta heran\u00e7a terr\u00edvel foi destru\u00edda, gra\u00e7as a Deus e aos EUA.<\/em><br \/>\n<em> As pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam estabilidade no emprego, pois s\u00e3o livres para trabalhar onde, quando e se quiserem. A pobreza e a delinqu\u00eancia v\u00e3o em aumento, j\u00e1 que perdedores que n\u00e3o se adequam \u00e0s regras de mercado sentem inveja dos ricos que s\u00e3o ricos gra\u00e7as ao m\u00e9rito individual. Pessoas da classe trabalhadora n\u00e3o precisam mais ir \u00e0 \u00f3pera construtivista ou ao teatro realista sovi\u00e9tico, podendo ir a cines porn\u00f4s e espet\u00e1culos de stand-up comedy. Tal como na Gr\u00e3-Bretanha, a televis\u00e3o \u00e9 livre e h\u00e1 liberdade de express\u00e3o. Nunca tivemos Big Brother durante o comunismo, mas hoje temos, olha que beleza. E o melhor de tudo, o esp\u00edrito de desconfian\u00e7a e dela\u00e7\u00e3o bolchevistas que uma vez se padeceu desapareceu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas \u00e9 poss\u00edvel que tenhamos aumentado o n\u00famero de shoppings, a &#8220;democracia&#8221; multipartidarista, os celulares e a internet. Felizmente, sobrevivi para desfrutar disso tudo.&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amados pros\u00e9litos do Santificado Hariovaldo, Circula nos s\u00edtios comunistas uma escabrosamente falsa\u00a0vers\u00e3o do texto que vir\u00e1 a seguir. 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