{"id":9722,"date":"2014-05-18T12:25:22","date_gmt":"2014-05-18T15:25:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hariovaldo.com.br\/site\/?p=9722"},"modified":"2014-05-18T12:25:22","modified_gmt":"2014-05-18T15:25:22","slug":"impostos-no-brasil-epoca-de-trevas-em-pleno-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hariovaldo.com.br\/site\/2014\/05\/18\/impostos-no-brasil-epoca-de-trevas-em-pleno-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Impostos no Brasil: \u00c9poca de Trevas em pleno s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Antes da abordagem ao tema central, \u00e9 interessante uma r\u00e1pida incurs\u00e3o na Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.brasilescola.com\/upload\/conteudo\/images\/5969c0055a601a5c965ee3edfef1fd05.jpg\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p>Por volta do s\u00e9culo V, na chamada \u2018obscura\u2019 Idade M\u00e9dia, ap\u00f3s a disruptura do Imp\u00e9rio Romano, a Europa foi assolada pelas invas\u00f5es germ\u00e2nicas (B\u00e1rbaros). Os nobres descendentes de Romanos deslocaram-se para o campo, recebendo dos Reis, por seus m\u00e9ritos, grandes lotes de terras, chamados Feudos. Gozavam de isen\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e fiscal. Esta, n\u00e3o absoluta, pois numa esp\u00e9cie de corrup\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, os Senhores Feudais faziam agrados aos Reis, para manuten\u00e7\u00e3o do <i>status quo<\/i> &#8211; de ambos. Nas terras constru\u00edam suas edifica\u00e7\u00f5es fortificadas, para prote\u00e7\u00e3o \u00e0s investidas b\u00e1rbaras. Formaram mil\u00edcias reunindo homens menos nobres, que lhes juravam eterna fidelidade, tornando-se Cavaleiros. Recebiam benef\u00edcios do Senhor Feudal, respeitando a hierarquia do Suserano (Senhor) sobre o Cavaleiro (Vassalo). Uma esp\u00e9cie de classe m\u00e9dia atual.<\/p>\n<p>Enfim, para o trabalho produtivo nos Feudos, o Senhor mantinha v\u00e1rios Servos. Os Camponeses tinham a permiss\u00e3o e obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar nas terras do Senhor, por contratos perp\u00e9tuos, estabelecendo obedi\u00eancia, fidelidade, e o pagamento de tributos (Corveia, Talha, Banalidade, Capita\u00e7\u00e3o, Censo, Taxa de Justi\u00e7a, M\u00e3o Morta, Albergagem, <i>Formariage<\/i> e o Tost\u00e3o de Pedro &#8211; este para a igreja). Vejam leitores, fato curioso: o Senhor Feudal era oficialmente livre de tributos, mas os Vassalos e os Servos pagavam tributos ao Senhor todo poderoso. Parece razo\u00e1vel. Vamos adiante.<\/p>\n<p>Na estrutura s\u00f3cio-pol\u00edtica havia ainda o Clero. Em simbiose com os Reis e Senhores Feudais, exercia primordialmente a manuten\u00e7\u00e3o da plebe sob r\u00edgidos padr\u00f5es de conduta moral e religiosa, evitando-se motins e insurrei\u00e7\u00f5es. Com o Estamento \u2013 sistema em que n\u00e3o h\u00e1 mobilidade socioecon\u00f4mica &#8211; perpetuava-se a condi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria: filhos de Senhores, de Cavaleiros, e de Servos, eram respectivamente Senhores, Cavaleiros e Servos. Aqui uma pausa. Se o leitor tivesse nascido naquela \u00e9poca, certamente seria Vassalo ou mais prov\u00e1vel Senhor, pois diante da condi\u00e7\u00e3o \u2018natural\u2019 de imobilidade n\u00e3o seria justo nascermos Servos. Pois! A educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade (rudimentar), cultura, lazer, liberdades cidad\u00e3s, eram privil\u00e9gios de Suseranos, dalguns Vassalos e do Clero. Lembrando que bem nascidos recebiam impostos, para obter esses benef\u00edcios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.implicante.org\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/impostos1.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"282\" \/><\/p>\n<p>Voltamos ao s\u00e9culo XXI, das \u2018mudernidades\u2019, nesta <i>Pindorama Brazilis<\/i>. O que encontramos? O caos! Eis o exemplo do que pode reservar o cotidiano dum nobre com m\u00e9ritos, leg\u00edtimo herdeiro dos antigos Senhores.<\/p>\n<p>Por volta das 9:00 horas despertamos. Ao inv\u00e9s duma serva sorridente a preparar os brioches, uma empregada car\u00edssima, com muitos direitos, poucas obriga\u00e7\u00f5es. Logo sabemos que o motorista faltou porque a esposa deu a luz \u2013 hil\u00e1rio, os atuais servos vivem em apag\u00e3o, mas d\u00e3o a luz. Assim, nossos filhos se sujeitaram ao Taxi rumo \u00e0 escola, enfrentando o tr\u00e2nsito lotado de carros n\u00e3o caros.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m merece. Por gra\u00e7a, o mal entendido com o helic\u00f3ptero, que nos levar\u00e1 ao labor, est\u00e1 resolvido. J\u00e1 pela manh\u00e3, o stress. Sobre a mesa est\u00e1 um DARF! Aviltantes situa\u00e7\u00f5es nos assolam. Ao inv\u00e9s de recebermos tributos, sacrificamos lucros com escorchantes impostos. E temos que encontrar solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 reis para trocarmos favores, mas um Estado imiscuindo-se nos neg\u00f3cios. A Classe M\u00e9dia, (Ah, saudade dos Cavaleiros), s\u00e3o p\u00e9ssimos neo-vassalos. Vivem a nos bajular, mas s\u00e3o falhos nas suas fun\u00e7\u00f5es: blindar-nos, assumir nossos problemas e encontrar solu\u00e7\u00f5es para nosso enriquecimento. N\u00e3o s\u00e3o h\u00e1beis guerreiros para atacar os Feudos concorrentes. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, por exemplo, nas comunica\u00e7\u00f5es. Sob bons Senhores, imprimem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o de patri\u00f3tico p\u00e2nico: infla\u00e7\u00e3o, desemprego, descasos com a educa\u00e7\u00e3o, com a sa\u00fade, o mar de lama, a corrup\u00e7\u00e3o, os elefantes brancos estatais, a seguran\u00e7a, o estraga-festa da Copa, das Olimp\u00edadas, mobilidade urbana e outras manipula\u00e7\u00f5es bem feitas para criar um estado de afli\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 positivo. H\u00e1 tamb\u00e9m no judici\u00e1rio uma boa vertente de luta, com a volta da saudosa Inquisi\u00e7\u00e3o. Embora os riscos de alguns exageros. As amea\u00e7as v\u00eam do entrincheiramento de for\u00e7as comunistas nos blogs sujos no mundo cibern\u00e9tico computadorizado do internet. A conferir.<\/p>\n<p>Hora do almo\u00e7o. Vamos ao restaurante mais ellegante da cidade. A mesa habitual est\u00e1 ocupada por um sujeito classe m\u00e9dia, querendo impressionar clientes do patr\u00e3o dele. Tira at\u00e9 fotos naquele recinto para mostrar aos amigos. Pat\u00e9tico. Todavia, h\u00e1 boa comida, bons vinhos, e um atendimento \u00e0 altura de nossa magnanimidade. A conta \u00e9 justa, mas os impostos nela embutidos s\u00e3o revoltantes. Durante o almo\u00e7o, o representante internacional comunica que perdeu um contrato. Malditos Chineses. Maldita taxa de c\u00e2mbio, maldito custo Brasil. Um dia teremos que mexer na produtividade, e isso significa arrocho de sal\u00e1rios, e gest\u00e3o fiscal ainda mais eficiente. Malditos servos. Malditos impostos.<\/p>\n<p>De volta ao escrit\u00f3rio, uma not\u00edcia favor\u00e1vel e outra a administrar. Um concorrente foi flagrado numa megaopera\u00e7\u00e3o de m\u00fatuos favores, constituindo verdadeiro trem da alegria. \u00c9 um nicho de mercado a ser abocanhado, apesar de sujeito a muitos impostos. Por\u00e9m, do lado de c\u00e1, as opera\u00e7\u00f5es de potencializa\u00e7\u00e3o de oportunidades em contratos vantajosos sofreu um baque. Um funcion\u00e1rio embevecido deixou vazar suas rela\u00e7\u00f5es de simpatia com agentes p\u00fablicos e privados em neo-opera\u00e7\u00f5es de guerra. Resta-nos ativar o setor de comunica\u00e7\u00e3o para alterar o foco das aten\u00e7\u00f5es ao Estado, que deveria ser m\u00ednimo. Peor, ao final da tarde, chegam faturas do plano de sa\u00fade, da escola dos filhos, da seguran\u00e7a privada. C\u00e9os!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.hiperativo.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/readingCN_0884.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"271\" \/><\/p>\n<p>\u00c0 noite, entre uma p\u00e1gina e outra do hebdomad\u00e1rio isento, vemos no jornal televisivo, tamb\u00e9m isento, que o (des)governo que a\u00ed est\u00e1, preocupa-se com a inclus\u00e3o social, com a dignidade de vida da gentalha, al\u00e9m doutras farofas. \u00c0 custa de lancinantes impostos. E n\u00f3s, fr\u00e1geis nobres desamparados, como ficamos?<\/p>\n<p>Apesar de nunca antes na Hist\u00f3ria deste pa\u00eds os neg\u00f3cios tenham sido t\u00e3o prof\u00edcuos, n\u00e3o houvesse os impostos, seriam ainda melhores. De facto, mister se faz bradar: malditos servos, malditos neo-vassalos, malditos concorrentes, maldita pol\u00edtica econ\u00f4mica, maldita pol\u00edtica social, malditas bolsas, inclus\u00f5es e elei\u00e7\u00f5es. Malditos impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A Idade M\u00e9dia n\u00e3o era obscura como se pensava.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vQgVLkvKVpQ]<br \/>\nCulpa dum sujeito terr\u00edvel. E agora dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da abordagem ao tema central, \u00e9 interessante uma r\u00e1pida incurs\u00e3o na Hist\u00f3ria. Por volta do s\u00e9culo V, na chamada \u2018obscura\u2019 Idade M\u00e9dia, ap\u00f3s a disruptura do Imp\u00e9rio Romano, a Europa foi assolada pelas invas\u00f5es germ\u00e2nicas (B\u00e1rbaros). 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