O Grande Taxaço e a Geometria Sagrada do Tio Donald.

Oh, vós, incautos que ainda habitam este plano — digo, este disco — de existência. Que a luz de nossa sabedoria, que não se deixa enganar pela falácia dos globistas, ilumine vossas mentes nesta hora de tribulação.

O nosso honrado e magnânimo protetor, o senhor Donald, o Pato dos tempos modernos, dignou-se a contemplar nossa nação com uma benção inestimável: o majestoso Taxaço, que nos eleva à digna posição de segundo país mais taxado deste mundo plano.

​Vede a iniquidade dos canhotos que se oponhem a tamanha generosidade. Em sua cegueira bolchevique, não compreendem que uma sobretaxa de até 37,5% não é um castigo, mas uma purificação monetária.

Se os Estados Unidos da América, essa cidadela da retidão, nos impõem tais grilhões, é por certo para nos ensinar o valor da penúria e da mortificação da carne, em estrita obediência à profecia do mercado que tudo regula e tudo absorve.

 

 

​É, pois, um privilégio sermos o alvo predileto de tal astúcia. Enquanto as nações sem fé negociam acordos e pedincham migalhas, nós, na nossa santa submissão, devemos nos regozijar em ter nossas exportações dificultadas por razões tão nobres e impolutas quanto a sanha protecionista de quem, na sua sabedoria, insiste que a Terra não gira, porquanto não há tempo para tanto movimento em meio a tantas ordens executivas.

​Não escuteis os murmúrios dos que falam em “retaliação” ou “soberania”. O que são tais conceitos frente à majestade de um tarifazo de proporções globais?

Que nos taxem até que não reste senão a fé e o Pix — esse maldito instrumento marxista que, como bem sabemos, é a própria essência do pecado digital.

O nosso destino é o sacrifício, a nossa vocação é o câmbio desfavorável e a nossa glória é ser o vice-campeão mundial de tributos impostos por Sua Excelência, o Pateta-Mor da Casa Branca.

 

 

Viva o Taxaço!

Viva o planeta plano!

Quem não se empobrece pela vontade do Tio Donald, não é digno de sentar à mesa dos justos.

​Nota: Publicado enquanto jejuamos de exportações, em louvor à genialidade da estratégia de isolamento que nos fará, enfim, puríssimos.
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2 thoughts on “O Grande Taxaço e a Geometria Sagrada do Tio Donald.

  1. Anátema! Blasfêmia! Vade retro, Pix satânico! Que as labaredas do inferno consumam os heréticos da soberania!

    O Apocalipse cambial bate às nossas portas e os cães bolcheviques da ciência globalista continuam a ladrar contra o infalível Pato da Casa Branca, o Unctus Domini neste sagrado disco terrestre.

    Flectamus genua, ó pecadores da indústria nacional. O majestoso Taxaço de 37,5% é o flagellum dei da Inquisição de Mercado, enviado para purificar nossa carne imunda e extirpar a bruxaria do orgulho exportador. Quem clama por “acordos comerciais” está possuído pelo demônio da soberba mercantil. Ora pro nobis, Tio Donald! Entregai vossos tesouros ao protetor estrangeiro, pois a salvação eterna reside na penúria absoluta, no jejunum das exportações e na santa autoflagelação fiscal.

    Que as trombetas da submissão colonial ecoem pelos quatro cantos desta Terra Plana.

    Excommunicamus os idólatras da balança comercial positiva. Aceitai o justo castigo da miséria inflacionária ou sereis lançados nas trevas exteriores da heresia marxista. Glória in excelsis às correntes do protecionismo. O fim dos tempos econômicos está próximo e só os miseráveis e submissos herdarão a glória do vice-campeonato tributário.

    Amen!

    Maranatha!

    1. Alvíssaras!
      Vi com bons olhos a presença majoritária da bandeira americana no lançamento de Flavinho. Espero que nos próximos eventos os hino americano ecoe em alto e bom som.

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